A adoção de um filho por parte de um casal
costuma ser um assunto delicado quando este casal já tem um filho biológico.
Relações de ciúmes, somados a um sentimento de substituição podem tomar conta
dos filhos biológicos, pois para eles, pode parecer que seus pais considerem a
criança adotada mais importante.
Para a professora e psicóloga Fernanda Alves
(52), o ideal é que os pais conversem com o seu filho biológico sobre a adoção
de maneira aberta, para que ele não se sinta diminuído e nem menos importante
com a adoção de um novo filho. “O mais importante nesse tipo de conversa é que
a criança possa perceber que seus pais estão seguros em relação à adoção”,
completou Fernanda.
Segundo Fernanda, deve haver outro cuidado
muito importante que os pais devem tomar em relação à essa situação: se
certificar de que seu filho biológico não tratará mal a criança adotada. Para
Fernanda Alves esse é um fator incomum, mas que pode vir a acontecer. Não é o
caso de Otávio Klotz (25), que possui um irmão adotivo de 21 anos e um irmão de
sangue de 18 anos. “Eu nunca tratei meus irmãos de modo diferente pelo fato de
um deles ser adotado, muito pelo contrário, na verdade eu sequer me lembro
desse detalhe”, contou.
Ciúmes
Mesmo com todo o cuidado,
conversas, carinho e amor para dar mais atenção neste momento delicado, o
ciúmes por parte dos filhos pode acontecer. “A convivência com o novo irmão
adotado pode trazer ciúmes com graus diversos, criando até mesmo uma rejeição por
parte da criança. Além disso, alguns fatores como agressividade, dificuldade de
aprendizagem e insônia tanto por parte do filho sanguíneo quanto por parte do
filho adotado, podem vir à tona”, aponta Fernanda.
A faixa etária dos filhos é um
fator relevante neste tipo de situação. De acordo com a psicóloga, crianças
mais novas parecem ser mais sensíveis a esta situação, por não saberem
expressar em palavras os seus sentimentos. No entanto, filhos adolescentes
apresentam uma possibilidade maior de saber conviver com um novo irmão que foi
adotado por sua família.
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