Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou um número recorde de divórcios em 2011. Com um valor 45,6% superior ao indicado em 2010, o país registrou nada menos do que 351.153 separações, maior valor desde o início da pesquisa, em 1984.
Um ponto sempre muito discutido após a separação: a situação dos filhos. De acordo com a pesquisa, 56,8% dos casais divorciados tinham filhos, sendo que 37,1% deles eram menores de idade, ou seja, estavam em etapas de desenvolvimento psicológico e social.
Para Letícia Souza, 16 anos, a separação de seus pais foi uma fase difícil de sua vida. “Embora eu concorde que a separação evitou as constantes brigas deles [pais], me distanciou muito do meu pai, perdi a presença masculina em boa parte da minha criação”, afirma.
A garota viveu a separação ainda muito jovem, com 11 anos de idade, mas acredita que a saída poderia ter sido diferente. “Eles poderiam ter se colocado mais um no lugar do outro, resolver os problemas com calma, cedendo um pouco, pensar que a família que estavam construindo era seria mais importante do que qualquer outra coisa”, explica.
Atualmente Letícia mora com sua mãe, mas recentemente passou um bom tempo com seu pai e sua madrasta. “Minha mãe se mudou para o Rio de Janeiro e tive que morar com meu pai por uns dois meses. Foi muito ruim, perdi toda a minha liberdade, sem falar que não tenho uma boa relação com a minha madrasta”, completa. Segundo os dados do IBGE, 87,6% das mães mantém as custódias dos filhos após a separação.
Para a garota, esse distanciamento de cinco anos com seu pai afeta muito no dia a dia, as brigas eram constantes e ela não conseguia se sentir bem, à vontade, como na casa de sua mãe. “Meu pai perdeu muita coisa e não sabe lidar com algumas situações, é bem difícil para mim”, finaliza.
Muitas vezes os pais não percebem, mas os problemas pelo qual os filhos passam é fruto da relação entre eles. Para essas situações, especialistas aconselham terapia, tanto individual como em família.
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